O QUE TRUMP REALMENTE EXIGIU DE LULA NA REUNIÃO SECRETA DA ÁSIA

Este texto expressa uma opinião estritamente pessoal,
baseada na minha percepção da realidade

Você viu a foto?

Aquele aperto de mão protocolar. Os sorrisos contidos. A imprensa mundial do lado de fora, esperando.

Cinquenta minutos.

Esse foi o tempo oficial da reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, lá na Malásia, durante a cúpula da ASEAN.

As manchetes oficiais, você sabe, foram quase banais. “Líderes discutem tarifas”. “Brasil e EUA buscam acordo comercial”.

Cinquenta minutos. Em diplomacia, isso é quase nada. É o tempo de tomar um café. É o tempo de reafirmar o óbvio ou… é o tempo de entregar um recado muito direto. Um ultimato.

Porque a pergunta que você, que me ouve, está se fazendo, é a mesma que eu me fiz: o que realmente estava em jogo ali?

Você acha mesmo que dois dos líderes mais… complexos… do cenário mundial cruzaram o planeta para discutir o preço do aço?

Não.

O que aconteceu naqueles cinquenta minutos não foi uma negociação comercial.

Foi um teste de alinhamento.

O que a imprensa publicou foi a ponta do iceberg. A reunião “oficial” foi o teatro. Mas o que foi discutido nos bastidores, e que agora começa a vazar em reportagens da Agência Brasil, do Estadão… isso sim é o roteiro do nosso futuro.

A pauta oficial era o “tarifaço”. As sobretaxas de 50% que o governo Trump impôs a produtos brasileiros.

Aqui, a gente, que estuda marketing e negociação, vê o que se chama de “alavancagem”.

O tarifaço não era o problema. O tarifaço era a isca.

Era a ferramenta de pressão para forçar o encontro. Era o porrete sobre a mesa para obrigar o Brasil a sentar e ouvir a pauta real.

E a pauta real, Melker, tem três pontos que não saíram na foto oficial.

Primeiro: China.

Relatos de dentro da reunião, confirmados pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, indicam que a mensagem foi clara. Os Estados Unidos querem que o Brasil se torne seu “parceiro comercial preferencial”… em detrimento da China.

Acabou o jogo de se beneficiar dos dois lados. A nova Guerra Fria não é mais fria, e ela exige uma escolha. A reunião não foi sobre o Brasil vender mais para os EUA. Foi sobre o Brasil vender menos para a China.

Segundo: A Lei Magnitsky e o STF.

Isso é delicado. Lula, segundo fontes, levou à mesa o desconforto do Brasil com o uso da chamada “Lei Magnitsky” pelos americanos para sancionar autoridades brasileiras. Mais especificamente, ministros do Supremo Tribunal Federal.

Pensa comigo.

O presidente do Brasil, numa reunião sobre “comércio”, precisa pedir ao presidente americano para parar de sancionar os juízes da sua suprema corte.

Isso não é sobre tarifas. Isso é sobre soberania. Isso é sobre até onde vai a interferência de uma potência na estrutura de poder de outra.

E terceiro: Os “Jabutis”.

No meio da conversa, a equipe americana colocou na mesa: acesso facilitado ao mercado de etanol brasileiro e… regulamentação de big techs.

O que Trump realmente foi fazer na Ásia não foi só falar com Lula. Foi usar a força da economia americana para redesenhar alianças. E o que Lula foi fazer… foi tentar ganhar tempo.

Eu moro aqui em Novo Progresso. Sul do Pará.

Aqui, a geopolítica não é um conceito abstrato no jornal da noite. Ela tem cheiro. Tem peso. É o preço da saca de soja. É a decisão de abrir, ou não, um novo frigorífico.

Pensa comigo, numa parábola simples.

Imagine que o mundo são dois shoppings gigantescos, um de frente para o outro. O “Shopping América” e o “Shopping Dragão”.

O Brasil é uma loja muito grande, que vende de tudo: minério, carne, soja, tecnologia. E, por décadas, o Brasil manteve lojas abertas nos dois shoppings. Vendeu muito bem nos dois.

O dono do Shopping América, o Trump, sempre foi… intempestivo. Ele via o dono da loja brasileira almoçando com o gerente do Shopping Dragão e não gostava.

Então, um dia, ele chama o dono da loja brasileira (Lula) para uma conversa de 50 minutos. E diz:

“Olha, eu gosto de você. Seu antecessor (Bolsonaro) era um ‘grande homem’, como o próprio Trump fez questão de lembrar na reunião, só pra criar aquele clima… ‘mas você’, ele diz, ‘você também tem uma história de superação que eu admiro’, como o chanceler brasileiro relatou.

‘Mas é o seguinte: você vai ter que escolher. Quero exclusividade. Se você fechar sua loja principal lá no Shopping Dragão… eu zero o seu aluguel aqui. Eu tiro o tarifaço. Te dou o melhor ponto.’

‘Ah, e mais uma coisa… pare de reclamar de como eu administro a segurança do meu shopping, mesmo que meus seguranças (a Lei Magnitsky) mexam com seus funcionários (o STF). E aliás, eu quero vender o meu etanol na sua praça de alimentação.'”

O que você faria se fosse o dono dessa loja?

Aqui do Pará, eu vejo o produtor rural, o empresário. Ele não quer saber da briga dos donos dos shoppings. Ele quer vender.

Mas agora, ele está sendo forçado a ter uma “lealdade de marca” geopolítica.

Isso é o que estava em jogo. A era do “não-alinhamento” acabou.

O que a gente viu na Malásia foi o primeiro capítulo dessa nova realidade. A neutralidade, hoje, é o produto mais caro do mercado.

O tarifaço não foi resolvido, claro que não. A reunião terminou com a promessa de… mais reuniões. Equipes técnicas vão conversar. O famoso “vamos marcar” diplomático.

Porque o objetivo não era resolver. O objetivo era apresentar a fatura.

O que Trump foi fazer na ÁSia foi definir o preço da ‘amizade’ do Brasil. E o que Lula foi fazer… foi tentar, desesperadamente, mostrar que o Brasil é um player, e não um peão.

Por isso ele ofereceu mediação com a Venezuela. Por isso ele levantou a voz sobre o STF. Ele estava tentando mudar de assunto. Estava tentando dizer: “Eu não sou só um lojista. Eu também sou dono de um shopping menor, aqui na América do Sul.”

Cinquenta minutos.

Foi o tempo que os dois maiores líderes das Américas tiveram para expor suas cartas.

E a pergunta que fica no ar, e que eu te faço… é: nesse novo mundo, o Brasil deve escolher um lado?

Nós, como país, estamos preparados para o preço dessa escolha? Seja ela qual for?

Quero muito saber o que você pensa sobre isso. Deixa aqui nos comentários. Aqui é o Melker Rubio, e essa foi a nossa conversa de hoje.

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