A GRANDE FARSA DAS “MÉTRICAS DE VAIDADE”

Este texto expressa uma opinião estritamente pessoal,
baseada na minha percepção da realidade

Você posta.

Você otimiza. Você segue o checklist de sete dicas infalíveis que o último guru publicou. Você usa a música em alta, você faz o corte certo no Reels, você responde o comentário em menos de cinco segundos…

E no final do dia… o que acontece?

Um punhado de curtidas.

Talvez um seguidor novo, que provavelmente é um bot tentando te vender criptomoeda.

E a pergunta que não quer calar… a pergunta que eu recebo quase todo dia aqui no Pará, de pequenos e grandes empresários, de profissionais liberais… é sempre a mesma:

“Professor… isso… isso ainda funciona? Ou eu tô só alimentando o meu ego?”

E se a resposta for… as duas coisas?

Vamos ser brutalmente honestos. O Instagram, na sua arquitetura original, foi desenhado como um palco.

Um teatro de aparências.

O número de seguidores. A quantidade de curtidas. O selo de verificação.

Isso tudo são símbolos de status. Eles não são, necessariamente, símbolos de sucesso.

O problema é que nós, como seres humanos, somos programados para buscar validação. E o marketing digital, especialmente o marketing digital mal feito, se aproveitou disso de forma predatória.

Ele pegou a nossa necessidade humana, básica, de sermos vistos… e a transformou numa métrica.

E essa métrica… a métrica de vaidade… é um veneno.

Ela é dopamina barata. Ela faz o dono da marca se sentir bem. “Olha, mil pessoas curtiram a foto do meu produto”.

Mas… quantas dessas mil pessoas vão, de fato, comprar o açaí que ele vende ali na esquina? Quantas vão contratar o serviço de contabilidade? Quantas vão fechar o projeto de arquitetura?

Poucas.

Talvez nenhuma.

Porque curtida… curtida não paga boleto. Seguidor não paga funcionário.

A primeira coisa que precisamos entender é que existe uma diferença abissal entre audiência e cliente. O Instagram ficou mestre em nos fazer construir audiências… que nunca se convertem em clientes.

Eles aplaudem o show. Mas não compram o ingresso.

Isso… é inflar o ego.

Semana passada, eu conversava com a dona de uma pequena pousada aqui na região do Tapajós. Uma mulher incrível, um serviço impecável, um lugar que é um pedaço do paraíso.

Mas ela estava… exausta.

Ela me disse, quase num desabafo: “Melker, eu passo mais tempo tentando fazer a dancinha do Reels do que administrando a minha própria pousada. E os clientes que realmente vêm… vêm porque o ‘seu’ João, o barqueiro, indicou. Ou porque um hóspede antigo contou pra família. Não vêm porque viram meu Instagram de 10 mil seguidores.”

Saca só.

Dez mil seguidores. Um número lindo. Um número que qualquer “guru” usaria como case de sucesso.

Mas era um número oco. Um castelo de cartas digital.

Ela estava performando para uma plateia que aplaudia… mas que não tinha a menor intenção de viajar para o Pará e se hospedar lá. Ela estava inflando o ego… e esvaziando o caixa.

Ela estava presa na farsa das métricas de vaidade.

O que aconteceu, então?

Por que as estratégias que pareciam funcionar em 2017, 2018… simplesmente pararam?

Aconteceu o que sempre acontece com qualquer plataforma que atinge a saturação.

O ruído… o ruído ficou alto demais.

Nos primeiros dias, bastava estar no Instagram. A novidade era o suficiente.

Depois, bastava postar com frequência.

Depois, era preciso postar com estética. O feed “organizado”.

Depois, era preciso fazer vídeos.

Agora… agora o algoritmo não quer mais a sua estética. Ele não quer só a sua frequência.

Ele quer a sua alma.

Soa dramático, eu sei. Mas pensa comigo.

As estratégias antigas – hackzinhos, truques de engajamento, sorteios genéricos, compra de seguidores – eram todas focadas em manipular a máquina. Em tentar enganar o algoritmo.

Mas o algoritmo ficou esperto. Porque o algoritmo é desenhado para seguir o comportamento humano.

E ele percebeu que as pessoas não se conectam com máquinas. Elas se conectam com… pessoas.

O Instagram, e o Meta como um todo, está desesperado por retenção. Ele precisa que você fique o máximo de tempo possível dentro da plataforma.

E o que retém a atenção humana de verdade, no longo prazo?

Não é um logo bonito. Não é uma dancinha coreografada.

É uma história. É vulnerabilidade. É… verdade.

Então, vamos responder à pergunta inicial. As estratégias de Instagram ainda funcionam?

Sim.

Mas as estratégias “clássicas”… essas estão mortas. Elas são necrofilia de marketing. Tentar replicar o que funcionava em 2018 é um exercício de futilidade. É puro ego.

Mas a plataforma… a plataforma ainda é, talvez, a ferramenta de negócios mais poderosa já criada.

Desde que seja usada do jeito certo.

E qual é o jeito certo?

É parar de focar naquilo que infla… e começar a focar naquilo que conecta.

O marketing digital que funciona hoje não é sobre alcance. É sobre profundidade.

Não é sobre quantos te veem. É sobre quem te vê. E o que essa pessoa sente quando te vê.

A estratégia que funciona não é um hack de algoritmo. É um princípio humano.

Chama-se: comunidade.

Chama-se: serviço.

Chama-se: conversa.

O seu Instagram funciona se ele for um lugar, e não um outdoor.

Um lugar onde seu cliente se sente ouvido. Um lugar onde ele aprende algo genuíno. Um lugar onde ele vê os bastidores, a falha, o processo… a sua vulnerabilidade como dono de negócio.

A dona da pousada lá do Tapajós?

A estratégia dela não é fazer a dancinha. A estratégia dela é mostrar a história do ‘seu’ João, o barqueiro. É mostrar o processo artesanal do café da manhã que ela serve. É responder o Direct não com um robô, mas com um áudio, perguntando o nome do cliente.

Isso é profundidade. O resto… é só barulho.

A grande ilusão do marketing digital, a farsa das métricas de vaidade, foi nos fazer acreditar que atenção… é a mesma coisa que conexão.

E não é.

Atenção é barata. Você consegue atenção fazendo algo chocante. Você consegue atenção sendo polêmico. Você consegue atenção mostrando uma vida perfeita, que gera inveja.

Mas a conexão… a conexão é cara.

Ela exige tempo. Ela exige que você pare de tentar parecer interessante… e comece, de fato, a ser interessante.

Ou melhor: a se interessar genuinamente pelo outro.

O Instagram ainda funciona?

Sim. Mas não como um megafone para você gritar as suas promoções.

Ele funciona como um microscópio.

Um microscópio para você olhar para o seu cliente ideal, entender a dor dele, o sonho dele… e oferecer uma solução real.

O ego quer a curtida.

A estratégia quer a conversa no Direct.

O ego quer o número de seguidores.

A estratégia quer o e-mail do cliente.

O ego quer parecer grande.

A estratégia quer ser relevante… mesmo que para poucas pessoas.

O ego é barulhento. A estratégia é silenciosa.

O paradoxo é que… no momento em que você para de perseguir as métricas de vaidade…

No momento em que você aceita ser pequeno, mas relevante…

No momento em que você foca em servir, em conversar, em ser real…

O algoritmo… o algoritmo percebe.

E ele te recompensa.

Porque você, finalmente, está dando a ele a única coisa que realmente importa: tempo de tela humano e autêntico.

Mas isso me leva a uma pergunta para você.

Olhando para o seu negócio, ou para a sua marca pessoal…

Você tem usado o Instagram como um palco para o seu ego… ou como uma ponte para o seu cliente?

Me conta aqui nos comentários. Eu quero saber qual é a sua luta diária com essa plataforma.

Facebook
WhatsApp
Threads
Telegram
Reddit
LinkedIn
X

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *